No final do mês de abril, antecedendo uma importante data que é o Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff anunciou que em breve lançará o ‘Programa Brasil sem Miséria’. Ela não especificou ações concretas, mas trouxe ânimo aos que vivem abaixo da linha da pobreza extrema, que em Mato Grosso esta faixa populacional é algo em torno de 175 mil, dos 16,27 milhões do Brasil. A esperança reside no fato da presidente ter prometido ‘integrar novos e antigos programas sociais’ contra a miséria no país. Ao que tudo indica, funcionará como um grande guarda-chuva, que terá sobre sua proteção, pessoas, recursos e oportunidades.Diversos setores da sociedade, pela vontade da nossa presidente, serão mobilizados a participar do chamado contra a miséria em nosso país. Sabemos perfeitamente que não podemos consertar o mundo, mas a tentativa é sempre válida. Tornar o país verdadeiramente rico e feliz, como pretende a chefe maior do Brasil, que é mulher, mãe e tem sensibilidade, parece sonho, não vou ser incrédulo ao ponto de dizer utopia, mesmo porque assisto em meu cotidiano a união de esforços para tornar a sociedade cada vez mais igualitária, rotineiramente.O Programa Brasil sem Miséria não está em sua construção com falta de alicerce. Há estudos, cruzamento de dados e estatísticas que fundamentam a sua implantação. É por exemplo, fato comprovado, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que 8,5% da população brasileira está na miséria, com todos os riscos de vulnerabilidade social. Li nesta semana que a ministra de Desenvolvimento e Combate à Fome, Tereza Campello, disse que o percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza atinge quase um brasileiro a cada dez. Ou seja, é muito elevado o número de pessoas que estão na exclusão total das condições mínimas de dignidade.É óbvio que não podemos simplesmente ficar de braços cruzados diante deste quadro, caso contrário, seria mais cômodo compartilhar da opinião de que, quem nasceu miserável, morrerá miserável, tendo seus filhos miseráveis… Ou seja, o círculo pode ser vicioso em ritmo de eternidade se ficarmos passivos, diante dos graves problemas sociais.Nós empresários somos questionadores de programas focados em políticas para transferência de renda, como forma estratégica de diminuir de forma paliativa as desigualdades sociais, porque sempre alguém acaba pagando a conta. Para se ter uma idéia, no ano passado, programas nesta ordem corresponderam a 9,1% do PIB. Sabe o que significa isso? Quase R$ 30 bilhões. Por outro lado, entretanto, quando vemos notícias negativas que podem emperrar o desenvolvimento pleno do nosso país, principalmente nos aspectos econômico e social, logo nos vem a mente que é preciso fazermos ainda mais do que já fazemos, mas não somente em ações de cidadania, que a partir da década de 90 foram impulsionadas assim como os programas de transferência de renda.Temos que fazer a diferença sim e ajudar, principalmente no sentido de potencializar nossas riquezas, nossos recursos naturais de forma sustentável. Gerar mais negócios nos setores agrícola, industrial, comercial e de serviços, visando oferecer mais condições para que empresas gerem emprego e renda. País rico, é país sem pobreza. O slogan do governo federal é claro, mas os problemas são estruturais e penso que o caminho para soluções passa, mais do que nunca, pela solidariedade, sim, mas também e prioritariamente pelo acesso à educação, ao trabalho e condições dignas de vida. Por esta razão vamos seguindo juntos, primeiro, segundo e terceiro setores, nesta construção.Pedro Nadafé secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-MT
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